terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

APP - Associação Portuguesa de Psicogerontologia


A maioria dos edifícios públicos analisados anonimamente pela associação Deco chumbou na avaliação das acessibilidades a pessoas com deficiência motora ou mobilidade reduzida, tendo a associação chegado à conclusão que existem verdadeiros “muros intransponíveis” nesta matéria.

A investigação da Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores, que vai ser divulgada na revista “Proteste” do mês de Fevereiro, passou por 33 edifícios públicos em cinco cidades de norte a sul do país, entre Braga, Coimbra, Lisboa, Porto e Setúbal.

Dos edifícios investigados, 18 são das Finanças, dez da Segurança Social e cinco são Lojas do Cidadão e o objectivo em todos eles foi verificar a acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida, tendo por base a lei portuguesa e o Conceito Europeu de Acessibilidade.

“As conclusões do nosso estudo são esclarecedoras: 23 dos 33 edifícios que visitámos chumbaram na nossa avaliação”, revela a Deco, acrescentando que Portugal está “muito longe de uma sociedade sem obstáculos físicos, culturais e comportamentais”.

No edifício das Finanças em Braga, por exemplo, “a porta da entrada bloqueia o acesso à rampa”; na Segurança Social das Olaias, em Lisboa, a entrada não tem rampa e é feita através de quatro degraus; na Loja do Cidadão de Setúbal “o acesso para deficientes é muito longo, irregular e com declive acentuado”.

Da avaliação da Deco, há oito edifícios que se destacam com os piores resultados, sendo uma repartição das Finanças de Braga, uma repartição das Finanças de Coimbra, dois edifícios da Segurança Social em Lisboa, uma repartição das Finanças e um edifício da Segurança Social no Porto e um edifício da Segurança Social e a Loja do Cidadão de Setúbal.

Todos tiveram mau na apreciação global, muito por causa de uma avaliação negativa em relação à área envolvente, às rampas na entrada, aos elevadores, escadas ou casas de banho.

“Em mais de metade dos edifícios que analisámos, há parques de estacionamento sinalizados para cidadãos com mobilidade reduzida. Por vezes, porém, os lugares reservados são demasiados estreitos para, por exemplo, movimentar uma cadeira de rodas”, denuncia a Deco.

Por outro lado, a Deco encontrou pavimento irregular, com buracos, pedras ou gravilhas soltas em 14 parques de estacionamento e os edifícios com escadaria ou degraus à entrada possuem várias anomalias: “Em dez, não há corrimões, auxiliar importante para quem tem dificuldade em andar”.

“Em 24 edifícios é necessária uma rampa, mas em oito casos não existiam. Num sítio foram encontradas no interior, mas qual a sua utilidade se uma cadeira de rodas não passa da porta de entrada devido à inexistência de rampas?”, questiona a Deco.

Em conclusão, a Deco revela que “nenhum” dos edifícios da Segurança Social, Finanças ou Loja do Cidadão avaliados “está livre de barreiras arquitectónicas” e lembra que em 1997 as acessibilidades foram objecto de regulação normativa, dando sete anos de adaptação aos edifícios já construídos ou em construção, prazo alargado em 2006 para 17 anos.


Procura é superior à de 2010 no S. João, e o Amadora-Sintra teve de internar doentes noutros serviços.

Gripes, pneumonias e problemas respiratórios em idosos e crianças estão a complicar os internamentos em hospitais como o Amadora-Sintra ou o S. João, no Porto. Uma situação que ainda não é considerada dramática pelos responsáveis hospitalares, que estão a recorrer às camas de outros serviços para dar resposta ao aumento da procura.

No Hospital Amadora-Sintra, foi preciso requisitar camas de outros serviços para responder às necessidades de internamento provocadas pela gripe A e por complicações de doenças respiratórias, sobretudo em idosos e crianças. As urgências estão a receber por dia uma média de 418 pessoas, mais 130 do que seria normal. Mas houve dias em que na urgência geral foram atendidos quase 600 doentes.

“Estamos a ter grande afluência nas urgências e um aumento dos internamentos por causa da gripe e outras infecções respiratórias”, confirma o assessor de imprensa da unidade, Paulo Barbosa. São casos de gripe A, gripe B e de pneumonias. “As 204 camas de medicina não chegavam e tivemos de deslocar 26 camas de otorrino e de oftalmologia para responder a todos os casos”, refere o assessor, que garante que a unidade tem capacidade de resposta e ainda não foi necessário cancelar cirurgias programadas.

No Hospital de São João, no Porto, os doentes nas urgências e no internamento também dispararam. Há “um aumento na afluência às urgências com casos de gripe sazonal maior do que no ano passado, quando havia gripe A”, admite fonte do hospital.

Em 2010, a média diária era 480 admissões no serviço e este ano subiu para as 510. “Isto provoca um aumento nos internamentos e uma sobrecarga na unidade de medicina nos cuidados diferenciados, como os intensivos e os intermédios”, salienta.

Já os restantes hospitais contactados pelo DN garantem que a afluência de doentes com gripe está dentro da esperada. É o caso Hospital Garcia de Orta, em Almada, e o Centro Hospitalar de Lisboa Central, onde a média de admissões nas urgências é de 250 a 280 por dia, enquanto no São José é de 450 a 460.

Em Coimbra, os hospitais da universidade também estão a dar resposta a todos os casos. “Não temos tido problemas pois fazemos um uso complementar das camas: quando um serviço fica cheio, usamos as camas de outro serviço”, diz o director Fernando Regateiro.

O coordenador da Unidade de Emergência de Saúde Pública da Direcção-Geral da Saúde, Mário Carreira, admite que “a procura é elevada” mas garante que “não se regista a sobrecarga dos serviços de urgência de forma geral”, frisa, admitindo que em alguns locais haja maior sobrecarga. “A situação a nível nacional está controlada.”

Mário Carreira admite que “a procura é intensa, mas não excessiva”. “É o aumento habitual para esta altura”, diz. Para ser considerada excessiva, deve situar-se acima das 28 a 30 mil pessoas. “Neste momento estamos nas 22 mil.”

Alguns locais do Interior registam maior procura, como Vila Real, Bragança, Portalegre ou Castelo Branco, admite no entanto o coordenador da DGS, lembrando que “a epidemia este ano está mais moderada”.

Para o pneumologista Filipe Froes, “a gripe este ano ocorreu na altura normal, estão muitas estirpes em circulação e o frio favorece a transmissão do vírus”, conclui.

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